Academia Gastronômica

Julho 14, 2009

O autêntico Bauru, sanduíche paulista

Arquivado em: Uncategorized — joaoluis28 @ 1:27 pm

Diferentemente do que a maioria das pessoas pensa o popular sanduíche Bauru não surgiu na charmosa cidade de mesmo nome localizada no interior paulista. O seu criador foi Casimiro Pinto Neto, cidadão bauruense, que elaborou a receita hoje conhecida nos quatro cantos do país [se bem que com alguns erros de formulação em algumas localidades]. Casimiro fazia faculdade na capital paulista, onde era chamado pelos amigos de Bauru, em clara referência as suas origens. Bauru é hoje uma próspera cidade de São Paulo onde há várias instituições universitárias [Unesp, Usp, Unip...], que possui um estilo urbanístico bastante moderno e aprazível, com intenso e vívido comércio e setor de serviços e que é uma espécie de capital da região sudoeste paulista. Apesar do crescimento impulsionado por todas as atividades econômicas que complementaram as atividades agrícolas [com o estabelecimento de indústrias nos arredores], mantém ainda hoje a cordialidade e a simpatia, o ritmo mais tranqüilo e gostoso de viver das cidades interioranas. O sanduíche criado por Casimiro é um dos orgulhos locais, além de personalidades marcantes que viveram na cidade, como Pelé, que iniciou a carreira em Bauru, ou mais recentemente do conterrâneo dos bauruenses, o astronauta Marcos Pontes. Quanto ao sanduíche, é importante ressaltar que seus componentes originais, aqueles que celebram a produção criada por Casimiro em São Paulo, no restaurante Ponto Chic, nos anos 1930, são: Pão francês, queijo muçarela, rosbife, picles, tomate, orégano e sal [para condimentar]. Estive em Bauru para apresentar algumas palestras nos últimos tempos e tive a oportunidade de experimentar a iguaria em sua terra natal. Aproveito o artigo para mandar um grande abraço a todos os amigos bauruenses que tive a oportunidade de fazer nesses eventos.

Por João Luís de Almeida Machado

Julho 7, 2009

Adrian Ferrá e El Bulli, os melhores do mundo

Arquivado em: Uncategorized — joaoluis28 @ 5:45 pm

Adrian Ferrá é reconhecido mundialmente como um dos grandes nomes da gastronomia contemporânea [com total justiça, diga-se de passagem]. Idolatrado na Espanha, seu restaurante, El Bulli, foi escolhido como o melhor do mundo por 3 anos consecutivos de acordo com publicações especializadas européias.

Para um espanhol superar os franceses, a pátria da gastronomia, é sinal de que realmente Ferrá deve ser um gênio. Conhecendo um pouco do ramo e sabendo como é difícil o temperamento dos grandes Chefs, me surpreendi ao vê-lo em recente entrevista a uma rede de TV Brasileira [Canais pagos, infelizmente para o grande público].

Afável e acessível, ciente de seu valor e importância, mas nem um pouco arrogante, ao ser perguntado pela repórter sobre como se sentia quanto ao fato de ser reconhecido há três anos como o melhor chef do mundo em função de seu trabalho no El Bulli, explicou que não pensa dessa forma e, tampouco entende que exista um chef que possa ser considerado o melhor do mundo. Disse que o que se cria é uma aura em torno de alguns nomes e pessoas que dão a elas o poder de influenciar os demais.

Ou seja, Ferrá reconheceu que a mídia, ao incensar o trabalho dele e de outros profissionais do ramo [o que também se aplica a todos os outros setores de atuação humana], gera áreas de influência ao redor destas pessoas. Como estas pessoas irão utilizar este poder é outra conversa… Alguns abusam, outros a usam com sabedoria, o que a meu ver parece ser o caso do grande chef espanhol.

Outro aspecto interessante da entrevista refere-se ao fato de que, ao ser perguntado sobre a agenda do El Bulli, sobre quando seria possível ir ao restaurante, Ferrá disse que durante a turnê mundial que estava realizando fora recebido muito bem em todos os locais pelos quais passou, inclusive o Brasil [Em evento promovido pelo Senac-SP] e que, ainda assim não pôde oferecer os préstimos de seu estabelecimento a nenhum de seus anfitriões… Porquê? Simplesmente pelo fato da casa já estar lotada para 2009 e 2010 e ter ainda mil pessoas na fila… Segundo seus cálculos isso seria o suficiente para fechar a agenda do estabelecimento pelos próximos 100 anos…

Obs. Em tempo, o sucesso de Ferrá vem do fato dele ser um pioneiro, um pesquisador, um eterno curioso na busca por novos sabores, receitas e composições. Seu restaurante, El Bulli, funciona durante 6 meses e no tempo restante ele vai pesquisar, literalmente, no laboratório novas técnicas, ingredientes, misturas… Na reportagem ele mencionou que anualmente são realizadas perto de 5 mil testes e aprovados aproximadamente 140 novas receitas…

Por João Luís de Almeida Machado

Obrigado Brigadeiro!

Arquivado em: Uncategorized — Tags:, , — joaoluis28 @ 5:36 pm

Doce tão popular, nas festas de aniversário ou mesmo na colher que raspa o fundo da panela, o brigadeiro tem curiosa história quanto ao seu surgimento. Conta-se que nos anos 1940 o brigadeiro Eduardo Gomes, oficial da aeronáutica, decidiu se candidatar a presidência da república. Mas como as verbas eram escassas, era necessário garantir dinheiro para a campanha de onde quer que fosse. De acordo com os relatos da época, Gomes era um verdadeiro galã de cinema e, além disso, era solteiro, o que o tornava alvo da paparicação das moças casadoiras…

Pois foram elas que resolveram colaborar com a campanha do brigadeiro e partiram para uma ação de venda de doces, criados por elas mesmas, vendidos em barracas e anunciados como o doce do brigadeiro… Daí a simplesmente brigadeiro faltava muito pouco, mesmo porque depois daquelas eleições perdidas pelo candidato galã… As origens do doce foram sendo esquecidas, mas aquele bom-bocado delicioso entrou de vez na história da gastronomia brasileira…

Para fazer brigadeiro são necessários os seguintes ingredientes: uma lata de leite condensado, uma colher de manteiga sem sal, sete colheres de achocolatado [Nescau, Toddy ou afins] e chocolate granulado para a cobertura. Depois é misturar os ingredientes numa panela [menos o granulado, colocado depois que os docinhos são enrolados] até atingir o ponto. Tendo chegado lá, enrole o brigadeiro e passe nele o granulado. Depois de algum tempo é só se deliciar…

Por João Luís de Almeida Machado

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